Mordomo

Estava gravando com um baterista "top" esses dias. O piano foi pré-gravado, quantizado e passado para áudio.
No meio do trabalho, tivemos uma balada para gravar, daquelas bem lentas, e o problema começou aí.
Geralmente, os músicos de estúdio costumam ser bons de metrônomo e, modéstia à parte, esse era o caso nessa gravação. Mas o produtor começou a dizer que estávamos correndo, e todo take era a mesma coisa. Estávamos nos esforçando ao máximo, mas percebíamos que não estávamos tocando junto. O beat estava lá, o piano quantizado também, e nós tentando cravar o beat cada vez mais.
Bom, o produtor ficou satisfeito com o resultado, graças a Deus. Mas nós ficamos com aquela sensação estranha de quem já apanhou do metrônomo alguma vez na vida, além de achar que ainda estávamos desencontrados.
Como iríamos ficar no estúdio mais um tempo, e o produtor tinha ido embora, resolvemos abrir aquela música e ouvir mais uma vez, só para verificar.
Foi aí que tudo ficou claro pra nós.
O piano "quantizado" estava fora do beat, sempre um pouco para trás, como pudemos visualizar no Pro Tools. Alguma latência na hora de converter para áudio. Tiramos o piano, e o baixo e a bateria estavam lá, certinhos.
Então pudemos dormir tranquilos naquela noite.
Nem sempre o culpado é o mordomo.
Abraço,
Claudio

Comentários

E. G. Rocha disse…
É verdade. Nem sempre a culpa é do mordomo. Desta vez a culpa foi do "contra-regra", mas agora Inês é morta!
Claudião, é como eu digo, faça o que seu produtor mandar e garanta seu emprego!!!

Abraço, Marcos.

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