Quando Os Queridos Se Vão...

No último domingo, chegando de viagem, recebi a péssima notícia:

"O Ladessa faleceu."

Um turbilhão de pensamentos e sensações passaram por mim: tristeza, raiva, vazio...

Conheci o Edu em 89, quando levei um baixo para ele arrumar, e a conexão foi imediata. Vendo-o destruir um baixo que estava quase acabando, porque não tinha ficado como ele gostaria, tive a certeza de que iria fazer um instrumento com ele. E assim foi.

A amizade foi aumentando, tínhamos um gosto musical parecido, a mesma fé em Cristo, as esposas se tornaram amigas, foram nossos padrinhos de casamento, e fomos caminhando juntos nesse anos todos.

Não vou entrar em detalhes sobre a sua morte. Agora já foi. O que fica são lembranças da pessoa, isso vou guardar para sempre.

O Ladessa era uma pessoa ímpar, de temperamento forte, totalmente passional. Como ele mesmo dizia: "com jeitinho, você leva até minhas cuecas". Mas, se ele não gostasse de alguém, não tinha jeito, empacava e a coisa não ia, a ponto de não aceitar uma encomenda. Me lembro quando fiz o fretless em 92, acho. Queria de 5 cordas, mas ele queria fazer de 6. Briguei, disse que queria de 5, que não tinha grana pra fazer
de 6, mas não teve jeito. Ele queria de 6, e fez de 6.

Tinha 2 volumes para falar: alto e muito alto. Uma risada única, e uma mania de brigar com os componentes eletrônicos do baixo, como olhar para um capacitor com problemas e dizer "agora você se ferrou, descobri o que era".

Tinha um repertório de piadas imenso, fruto do grande fluxo de pessoas que passava pela sua oficina. E algumas frases que adorava falar: "não me ajuda!", "Deus, me livre dos amigos, porque dos inimigos eu mesmo dou conta", e por aí vai.

Chamava a todos de "amore", e quando me via chegar na oficina, dizia de longe: "Craaaaaudio". Estendia a mão e dizia: "pega na minha, chacoalha e diz 'I love you'". E na hora de ir embora, o famoso abraço e a frase: "força".

Era totalmente bagunçado com prazos, e não anotava quase nada. Algumas coisas escrevia na madeira dos baixos, e sempre escrevia meu nome errado, omitindo o "u": ficava sempre escrito "cladio". E quando entregava seu baixo, toda a espera valia a pena, porque a emoção de estar com uma obra de arte nas mãos era maior que tudo. Quatro dos seus "bebês" estão comigo, por isso sei do que estou falando.

Mas agora tudo isso vira história, memórias para repartir com os amigos. Tenho certeza que ele está com Deus, muito melhor do que aqueles que ficaram. A nós, só nos resta a saudade, e as lembranças de uma pessoa extraordinária que cruzou por nossas vidas, infelizmente por muito pouco tempo.

Se você tem uma boa lembrança do Edu, sinta-se à vontade para escrevê-la nos "comentários".

Abraço,

Claudio

Comentários

Edu Fettermann disse…
Realmente é muito triste perder uma pessoa querida, principalmente quando não estamos esperando. E a perda do Ladessa afeta muitos baixistas, pois seu trabalho era realmente excepcional.
guilhermestutz disse…
Histórias, memórias, saudades...
As caretas quando tocava eram demais... e o radinho sempre rolando... dai ele parava tudo, arregalava o olho e falava "bixo... olha esse cara!?!?!?!" e mostarava uma frase de baixo... Saudades...
Dracma disse…
Cara...agora me bateu a zica!!!
Que tristeza!
Eu conheci o Edu, acho que em 1968, quando eramos adolescentes. Ele comprou o seu primeiro baixo e eu a minha primeira guitarra. Brincávamos de tocar num quartinho da minha casa na Vila Mariana.
Mais tarde em 1970, montamos uma banda e tocávamos em bares, boates, restaurantes e clubes...
Quando casei ele fez parte dos meus móveis como presente de casamento e ainda me emprestou a marcenaria dele para eu montar os outros móveis da casa. Eu visita ele de vez em quando nas oficinas pra bater papo. A sua descrição dele é perfeita Claudio...e seu texto uma linda homenagem a um cara sensacional...de verdade.
Que pena...
Marcello Yo disse…
Ola Cláudio. Realmente sua descrição do Edu está perfeita. Interessante que conheci o Edu da mesma forma, porém em 1998, quando ele arrumou meu velho Tagima. Imediatamente vi sua qualidade e acertamos um fretless, também de 6 cordas, que ele tinha apenas o corpo do baixo que pertenceu ao Itamar. Logo em seguida ele me liga porque queria que eu trocasse o Tagima por um Ladessa de 6 cordas que já estava me esperando.

A saudade fica mas a certeza de que ele está junto ao Pai trás alegria suficiente para aplacar esta saudade de alguém tão ímpar para o mundo grave brasileiro.
Eduardo Andrade disse…
Muito bom o seu texto, Claudio. Acabei de ler num misto de tristeza e sorrisos, lembrando dele. Vou dar a minha contribuição por aqui também:

Conheci o Edu em 2000, se não me engano. Eu fazia um curso livre na ULM com o Itamar (alguém aqui se lembra do Baixo Em Cima?). Na época, eu estava fazendo um baixo com ele, inspirado num Rickenbacker.

Depois de uns 4 meses meu baixo ficou pronto, e com ele ouvi a famosa frase: "Sua satisfação garantida, e o seu dinheiro nunca mais!" Saindo da ULM, ele ainda me levou na lanchonete do Seu Osvaldo, no Ipiranga, para comer o clássico cheese salada. Na época ele ainda morava perto de casa, então me dava carona às vezes.

Na segunda-feira, recebi a notícia, perplexo. À noite eu tinha ensaio, e não usava o meu baixo Ladessa fazia um bom tempo, então decidi usá-lo. O baixo estava guardado fazia alguns meses, mas quando o peguei, estava praticamente afinado, o ajuste foi mínimo.

Vai fazer falta...
Danilo disse…
O Ladessa era fera... sempre lembro do tom de voz dele q qndo criança eu sempre tinha medo erkerkerke
Realmente apesar de nunca ter tido a oportunidade de ter uma longa e interessante conversa com ele... Sei q esse cara é demais...

Fará falta... mta falta...
Luciano (Bauru) disse…
É uma pena mesmo, segunda-feira saio de férias, como vou viajar para a praia ia levar meu Ladessa no porta malas pro Edu regular depois. Fiquei orfão. Lembro quando pedi pra ele fazer meu instrumento, era final de novembro, lembro do Edu falar..."fica frio amore, 3 meses teu baixo tá na mão pra você tocar no retiro da tua igreja".
Conclusão...ele teve uma crise de labirintite ficou mais de 6 meses "semi-inválido" e meu baixo ficou pronto depois de 8 meses, mas valeu a pena. Espero que algum dos meninos toque a oficina para dar continuidade ao nome do "mestre".
Sentirei saudade.
Elly Aguiar disse…
Não convivi com o Ladessa, nem ao menos o conheci, mas tenho algo que gostaria de deixar registrado aqui.

A história é curta mas é uma passagem muito forte (pelo menos pra mim), vivi uma depressão muito profunda no final do ano de 2005, tocava guitarra, e as coisas começaram a andar pra trás, tudo muito nublado e estranho, e no final daquele ano, me vi ponto um ponto final com a música.

Depois de um bom tempo, e de ter sido procurado por um amigo, após longas conversas, seções de terapia, e muito medo, arranquei forças de onde não tinha e voltei a tocar.

Agora não mais guitarra, estava de volta as cordas graves, com apoio de alguns amigos, um baixo Ladessa que estava parado no fundo da garagem de outro conhecido, chegou as minhas mãos, era a réplica de um TOBIAS, mas devido ao tempo parado, o baixo estava cheio de mal contato.

Falei por telefone com o Ladessa pra levar o baixo para uma revisão, mas as agendas voltaram forte e eu não consegui levar o instrumento pra ele ver, terminou que eu mesmo fiz a limpeza, e, resumindo, fiquei uma ano com aquele baixo, e quando devolvi ao seu dono, chorei copiosamente.

Com aquele instrumento venci uma fase difícil da minha vida e consegui voltar a ter alegria de fazer um som novamente. Com aquele instrumento vivi coisas muito interessantes como, tocar num lugar onde um cara estava com um TOBIAS, e no final o cara me procurar e dizer: Que porcaria tem nesse baixo que tem o dobro do som do meu?

O Tempo passou, a vida mudou, e o que eu queria, era apenas ter tido a oportunidade de contar isso pra ele, infelizmente não o conheci pessoalmente.

Abraço
Elly AGuiar
Claudia disse…
Minha história é meio ridícula até, mas o fato deu eu ser adolescente na época justifica. Acho que foi em 92 ou 93 e eu trabalhavaq com a Márcia (viúva do Ladessa)e descobri que o Edgar Picolli, (nem sei se é esse o nome, o que era da MTV, e também não sei se ainda)que na época acho que tocava no U2 Cover e trabalhava no ShopTour (vixe)... voltando, descobri que ele frequentava a ofina do Ladessa e comentei: "nossa ele é lindo, blá,'blá...". Em fim, a Márcia comentou com o Ladessa e ele me fez passar a maior vergonha, disse pro cara que eu era a maior fã e que era apaixonada por ele (imagine ele falando isso, exagerado daquele jeito). Final da história: tenho ainda hoje o primeiro autógrafo que o Edgar deu na vida dele e o Ladessa tirou sarro da minha cara por muuuuuuito tempo...

Qe pena mesmo....
Guilherme dos Reis disse…
Ladessa foi um mester, amigo, parceiro, e pra mim um pai. Me ensinou muitas coisas para a vida, carater e filosofia.

O conheci pelo projeto Guri ao fazer minha inscrição para o curso.
Alguns meses depois pedi para ser seu aprendiz. Dai em diante convivi pratimente 2 anos inteiros com ele, todos os dias. Era o unico trabalho na vida que eu não via a hora de acordar pra ir trabalhar, mesmo que fosse só pra ir limpar a oficina inteira, incluindo o banheiro.

Um mestre em tudo que fazia, seja com os amigos ou como maravilhoso profissional que era.

Edu Ladessa Parada, você vai deixar saudades eternas em nossos corações.
("amooreeeeee")
("Força")
("desculpe por tudo, sinto alarga-lo, foi um prazer mi-ter com você, um abraço para você e pros que foda a familia")

Beijo Edu.
aleviriato disse…
Claudio foi você quem me apresentou o Ladessa, e a partir dai virou meu luthier oficial.

Mas o que me lembro muito é que enquanto esperava meu baixo ficar pronto, ficava na oficina dele para fazer algum tipo de "pressão amigavel". Nisso passavra horas vendo ele trabalhar. O que me chamava a atenção é a alegria enérgica dele, as risadas, e o orgulho que ele tinha em cada coisa que fazia. Me mostrava cada baixo "novo" que acabava de nascer com muito orgulho, realmente como um filho.

Era um apaixonado pelo seu oficio, numa época em que esse tipo de paixão quase não existe mais..

Ladessa, vai deixar saudades... Como profissional, como pessoa e como amigo!!

Deus o tenha!!

Abs
Christian disse…
Grande Edu Ladessa. Eu o conheci aina na Vila Mariana Nos fim dos anos 90. Passei a frequentar e nos tornamos amigos, aí fui estudar na ULM e ele foi pra la com sua oficina. La eu ouvia as histórias, piadas, causos que entretiam todos que esperavam por seu instrumento. Montamos uma banda para tocar instrumental e fizemos um show até, tocando Jeff Beck. Ja até fomos pra delegacia juntos depois de um acidente que resultou em briga com vários motoqueiros rsrs ( Edu era bom de briga ). Depois fui pra Campinas e foi ficando mais difícil visitar o Edu.. aí sabia dele pelos amigos... há tempos planejo ir fazer uma visita.. demorei... Valeu Amore ! Como vc dizia : " Vc tem meia hora pra sair aí de trás " ( frase quando o abraçavam e ele estava trabalhando em sua bancada ) Obrigado por sua amizade, ensinamentos, pela Silvia Góes, pelos ótimos momentos.
Alan disse…
Comprei um Ladessa fretless de 5 cordas em 1992, o bass era de segunda mão. Não fazia a mínima idéia de como tocar um fretless. Fui aprendendo aos poucos, e também aos poucos fui metendo o pau no Ladessa, pois o fretless não roncava. Mandei o baixo em um luthier que acabou de meter o pau no Edu, falando que o circuito era uma porcaria, que os caps estavam em curto etc etc etc. Arrumei o telefone do Edu e contei a história para ele. Marcamos para ele ver o baixo e ele veio com aquela frase "em voz baixa": "Putz, como eu fazia merda!". Enfim (é claro!) ele resolveu o bass e ronca demais, além do outro que fiz com ele, que tem o ronco mais melancólico que já ouvi. Quantas tardes de sábado comendo aqueles pastéis lotados de pimenta que vendiam na feira em frente da oficina. Cada tarde ele prometia pelo menos umas 5 vezes que iria arrumar meu Ampeg. Suas histórias, sua paixão pela precisão sonora dos seus instrumentos, suas "brigas" com os circuitos, meu jazz bass que, após muuuuuuuiiitos meses, infelizmente, não deu tempo de acabar ...Como ele deixará saudades, uma personalidade absolutamente peculiar, um artista, um amigo, que agora está com nosso Pai. Valeu Edu!
Angela Camata disse…
... Ladessa , o sub do Claudião no casamento da Paty...e todos diziam que não poderia ser outra pessoa!
Quando veio a notícia de que o Claudio estaria trabalhando neste casamento que éramos padrinhos,em novembro passado, o Ladessa nem pestanejou em aceitar ser o sub....
Lá estava ele, de terno, com um grande sorriso, e suando a "bicas" devido ao calor da noite.
Entrou firme pelo corredor da igreja, comigo em seu braço e teve o carinho e cuidado que só um padrinho poderia ter.
Nem preciso falar que me diverti, pelas inúmeras piadinhas infâmes "sussurradas" no próprio altar. eu estava bem acompanhada,feliz!
Prá sempre, ....saudades...
Era muito engracado quando a Ladessa chegava na igreja de bermuda, tenis e meia esticadinha no tornozelo, e o Vagner perguntava pra ele: foi sua mae que te vestiu hoje?? E ele gritava: mae, olha o Vagner me enchendo o saco de novo. Nos aqui em casa sempre vamos sentie saudades.
Claudio Rocha disse…
Uma das coisas que me lembro foi quando saí na capa da revista Cover Baixo, acompanhado do seu baixo.
Queria comprar uma revista e levar para ele, mas pensei: "ele não vai ligar, e vai emprestar para alguém que nunca mais vai devolver". Acabei deixando em casa para esperar e ver.
Quando fui lá na próxima vez, ele virou pra trás, me viu e, depois de dizer o "Craaaaudio" de sempre, olhou para os lados, pegou a revista e falou: "você conhece esse cara de algum lugar? É ele! E com meu baixo! Comprei 2 revistas: uma para deixar aqui, e outra para ficar comigo".
Ele estava super orgulhoso... como ele sempre torcia por mim... uma saudade tão esmagadora como a dor que sinto por sua perda...
Só me consola o fato de saber que ele está com Deus, mas queria o Edu aqui...
LFerreira disse…
Claudio, que Cristo Jesus te console, a ti e a família do Edu. Não o conheci pessoalmente, mas tive o prazer de trocar alguns e-mails com ele. Pra mim foi chocante ter recebido essa notícia, e mesmo eu querendo e tentando saber a dor que estás passando, sei que não irei conseguir sentir. Mas sabemos que, mesmo não entendendo os planos do Senhor, sabemos que somente Ele pode nos dar e pode te dar a paz que excede todo o nosso entendimento. O sentimento da perda é inevitável, mas que o Cristo Jesus possa suprir todas as tuas necessidades emocionais, a ti a família do Edu e os demais intimos dele. Com certeza irá e já está deixando mutas saudades. Grande Abraço, Luciano Nunes Ferreira (Rio do Sul/SC).
Marcelo Morais disse…
Claudio,
Seu texto resume de forma perfeita o Edu. Ainda estou chocado com tudo o que aconteceu. Conheci o Edu em 1990, e desde então além de meu luthier, se tornou um grande AMIGO.
Ao todo ele me fez 5 baixos - 2 de 6, um de 5, um de 4 e um de 4 fretless... Quando ele nos deixou, estava trabalhando em meu novo baixo de 6, quase pronto para pintura, e que segundo ele mesmo, este será (pois vou terminá-lo) um dos mais bonitos que ele já havia feito...
Estava sempre com ele, no mínimo uma vez por semana, sempre almoçávamos juntos, conversávamos muito sobre tudo e como sempre, dávamos muitas risadas. No último dia 6, quinta feira, falei com ele, e estava muito feliz, pois tinha finalmente encontrado na França, uma loja que vendia um modelo de óculos escuro exatamente igual a um que ele havia perdido... Como sempre viajo muito a trabalho para a Europa, combinei de trazer os óculos para ele... Ele ficou preocupado com o preço, pois estava bem mais alto do que imaginava, mas eu disse para ele não se preocupar, pois eu iria pegá-lo mesmo assim, e como ele sempre dizia: “a gente se acerta depois”...
Claro que tenho muitas outras histórias, mas queria deixar uma muito engraçada, que aconteceu comigo, e que ele sempre gostava de contar para todo mundo na oficina, e como sempre riamos muito toda vez que ele repetia a história:
Era o meu primeiro baixo Ladessa, lindo, 6 cordas, som maravilhoso, com o corpo todo em Jacarandá e Pau Ferro. Estava com ele já há uns 3 anos, e sempre que eu ia na oficina para trocar cordas ou dar uma regulada, me queixava sobre o peso do instrumento, sempre comentava que talvez pudéssemos fazer alguma coisa para diminuir o peso. Talvez afinar o shape e o corpo do baixo, estas coisas...
Isto aconteceu várias vezes, até que em um dia quando levei o baixo para ele dar uma olhada (ainda na oficina pequenina da Vila Mariana), e novamente reclamei. Como naquela época a oficina tinha um tipo de um balcão que nos separava dele, ele levou meu baixo lá para o fundo (pensei que ele estava indo polir os trastes...), e ele, sem me dizer nada, pegou meu baixo, com cordas, ponte, captadores e tudo e enfiou na serra de fita – cortando o baixo em três partes...
Fiquei absolutamente sem ação, sem fala, e ele com aquela cara de pau, voltou rindo e dizendo: “Amore, agora acabei com os seus problemas e com as suas dúvidas... Agora é só fazer um baixo novo e mais leve e tudo vai ficar resolvido...”
E todos que estavam na oficina ficaram pasmos... o Edu só ria... e eu com os pedaços do meu baixo na mão...
Claro que ele fez outros baixos para mim, ainda mais lindos, com muito mais som e claro, mais leves... e assim seguimos com muitas outras histórias, que agora serão parte de nossas memórias...
Este era o Edu, um grande cara, um grande amigo, um irmão de fé, o melhor luthier, um grande coração, sempre disposto a ajudar todo mundo...
Vou sentir muitas saudades...
Marcelo Morais
Rafael Fernandes disse…
Oi, Claudio. Assino seu blog por RSS e quando abri pra dar uma olhada era o 1o post que apareceu. Foi um choque. Vi o Edu poucas vezes, mas era sempre marcante. Conheci ele através do meu pai, o Vitor (que comentou aqui como "Dracma"). O Edu faz parte da minha memória afetiva musical. Me lembro de meu pai me levando na oficina da Vila Mariana e ele fazendo um daqueles baixos que acendia as luzes nas marcações da escala. Aquilo para uma criança era sensacional!! Nas outras vezes era sempre muito engraçado, ele com esse jeitão que vc descreveu, muitas histórias e tiradas. Eu ficava admirando aqueles baixos semi acabados pendurados, lindos. E adquiri o hábito de notar quando um baixo é Ladessa ou não. Aquela coisa de ver um músico tocar e pensar "opa, esse aí é um Ladessa". Sempre que eu ouço um baixista falar de instrumento eu comento sobre o Edu e os Ladessa. A minha primeira guitarra boa que comprei e uso até hoje (e adoro) veio através de uma indicação do Edu. Eu e meu pai não sabíamos o que comprar, pedimos ajuda pra ele que indicou um amigo. O resultado é que estou com esse instrumento há quase 15 anos.
Dracma disse…
A primeira banda que o Edu montou foi em 1971 e se chamava Kleopha. Ele no baixo (Giannini) eu no solo (Guitarra Givtone japonesa), o Paulo nos vocais e guitarra base(Giannini 12 cordas emprestada do Nelsão), o Marquinhos no teclado e o Toninho na batera.
Tocávamos em clubes, bares e restaurantes. Eu e o Edu tínhamos 17 anos. Ficamos 2 anos juntos.
A música que mais gostávamos de tocar era do Raspbarries, e ela tinha este trecho que vale a pena eu deixar aqui como mensagem para o meu grande amigo que se foi...

You're here and there and far away from me
I'm so alone, it's just a crime

Don't want to say goodbye
Don't want to let you see me cry

Vitor Azevedo
Jhonny Magi disse…
Conheci o Ladessa no projeto Guri.
Na época eu tinha um lixo de uma guitarra Jennifer trincada ao meio...
Quando ele foi me dar aula ele me fez arrancar um pedaço dela kk, final de papo, destruímos a guitarra ;D
Mesmo após o curso continuei freqüentando sua Luthieria.
Não o via a algum tempo, mas gostaria muito que ele tivesse tido tempo de dar aquele "Up" na minha Giannoca e que aquele Rk n tivesse ficado no papel ^^
Lembro que ele me deu as madeiras para fazer um CB e eu queria fazer um Jazz Bass de qualquer jeito e ele n queria...
No final eu projetei um RK, pena que nunca acabamos ele =/
Ladessa você deixará saudades
Abraços e você jamais será esquecido por nós^^
hiron disse…
Conheci o Ladessa em 2004 por intermédio do Paulo Gil, desde então sou chamado de "Modelo". Fiquei sabendo do ocorrido á caminho de sua oficina, no dia 12/01/2011. Hoje, dia 31/01/2011, estou com insônia lembrando de suas brincadeiras, das idas na padaria pra comer pão com mortadela e dos poucos rolês de bike que fizemos e escaladas tb.
Estou arrasado ainda e muito triste.
Fica com Deus "amore".
Marcos Serra disse…
Meu nome é Marcos Serra. Estou morando nos EUA agora e com saudade dos amigos do passado, procurei o nome Ladessa no Google pra mandar um abraço. Qual não foi meu choque ao saber da notícia. Cheguei atrasado por questão de alguns dias!
Naqueles idos dos anos 80, eu já era vocalista de outras bandas qdo entrei para um grupo que ensaiava na Vila Mariana, na casa do Cláudio baterista, com Mauro na guitarra e depois veio o Paulo na segunda guitarra.
No baixo um cara que falava alto, piadista e que fazia baixos e guitarras como ninguém que eu conheci, chamado Edu Parada Ladessa.
Criei um nome pro grupo e formamos o Raio X. Tocamos em bares nos Jardins... nos apresentamos no iniciante "Perdidos na Noite" do Faustão... Mas a melhor época foi quando tocavamos num salão da periferia em Interlagos. O Edu era o cara que mantinha os equipamentos e cabos sempre impecáveis. Lembro de uma vez qdo cheguei no clube e ao dar-lhe um abraço, senti algo estranho preso à sua costela: ele carregava a arma ali e de certa maneira senti uma certa segurança apresentando-me junto com o Edu naquele lugar meio barra pesada.
Ele tinha um jeitão risonho no palco, como que orgulhoso de tocar um autêntico Ladessa.
Naturalmente comecei a frequentar a oficina dele naquela ruazinha da Vila Mariana, onde conheci o sócio na época, o Tigueis, outra figuraça e irmão gêmeo de Steve Vai; além de vários músicos que ali vinham conversar e fazer suas encomendas. Aquela oficina, pequena e talvez por isso muito aconchegante, tinha uma áura toda especial.
Certa vez, o Edu trouxe uma coruja e a deixava no banheiro, num puleiro improvisado no alto da parede. Não lembro se foi o Tigueis ou o Edu, foi dar uma mijada e a coruja vendo o bilau e confundiu com uma presa e não deu outra: zás! Mergulhou com as garras pra catar o dito cujo.
Quem estava ali, num movimento reflexo, protegeu o piu-piu com a mão e as garras crevaram-se entre o polegar e o indicador.
Segundo relato do Edu,foi preciso um alicate pra libertar a mão das garras afiadas da coruja.
Histórias que se tornarão lenda urbana, como o nosso amigo Edu, já é.
Tenho fotos com o Edu Ladessa daquela época feliz da nossa juventude. Quem quiser é só me escrever: marcoserrasp@hotmail.com
Dracma disse…
Oi Marcos,

Eu conheci essa coruja e não foi o meu bilau que ela confundiu com uma presa! Ainda bem!
Cara, o Tiguez na época (faz anos que não o vejo), era mesmo a cara do Steve Vai, impressionante!

Eu e o Edu montamos a primeira banda de nossas vidas em 1971 (tínhamos 17 anos) e se chamava Kleopha. Durou uns 2 anos.
Era eu na guitarra solo e voz, o Edu no baixo, o Paulo na base e na voz, o Marquinhos nos teclados, e o Toninho na batera.
Todos éramos auto-ditatas, amadores e trabalhávamos em empresas. Tocávamos apenas nos fins de semana. Nenhum de nós se profissionalizou.
O interessante é que tocamos várias vezes numa boca de Interlagos...talvez seja a mesma a que vc. se refere.
Tocamos várias vezes no Clube Aquático do Bosque da Saúde e em bares e restaurantes.

O Edu queria muito poder importar um Rickenbaker; como a grana na época era exageradamente escassa, e ele era um excelente aprendiz de marceneiro, resolveu começar a fazer o seu próprio baixo. Foi assim que tudo começou.

Vc. conheceu o Bertoni? Foi ele que projetou e desenvolveu o primeiro captador ativo para o Edu (nessa época da Sud Minucci na Vila Mariana).

Eu convivi com o Cláudio batera também (a última vez que o vi, morava no Alphaville).

Eu aceito sua oferta: me mande algumas fotos dele por favor.

Abraço

Vitor Azevedo (toraze@gmail.com)
Edson Pacheco disse…
Conheci o Edu por intermédio de um amigo no início dos anos 2000. Me encantei com o som que o cara tirava daquele baixo de 6 cordas e jurei que o dia que eu conseguisse comprar um baixo novo (eu tinha um usado muito ruim), seria um Ladessa!
Bem, em 2006 eu fui na ULM e fechei um Tobias de 5 cordas com ele. "Amore, o tempo que o baixo vai demorar, depende de quantas vezes vc vai vir me visitar. Vc vindo aqui todos os sábados, eu te entrego em 3 meses".
Vieram as labirintites, as crises depressivas e finalmente em 2008 consegui pegar o meu Ladessa nas mãos (ainda inacabado, com a ponte em latão sem cromar). Toquei com algumas pessoas e todas ficavam de boca aberta com o som daquele instrumento. Levei o bichinho pro Edu Acabar e polir no fim de 2008.
Mesmo ele tendo demorado 2 anos pra me entregar o instrumento, eu estava procurando o telefone dele (o que eu tinha ninguém atendia) pra encomendar um fretless e me deparo com esse post.
De 2006 a 2012 eu morei no interior do Rio de Janeiro e isso me impediu de ter um relacionamento mais próximo com ele! Mesmo assim, o cara sempre me recebia com um sorriso nos lábios e suas infinitas histórias... Eu adorava ver ele martelando o braço de um baixo sempre com o aplificador ligado, olhando pra cara do dono e dando risadas!
Que Deus em sua infinita misericórdia possa dar a ele o descanso merecido! Todos nós (O Wandico tbm) vamos sentir muito sua falta!
Deu saudades do Ladessa e dos tempos de Brooklin. Aprendi música com o Ale, um rapaz talentoso que tem deficiência visual e que foi adotado pelo Ladessa. O Ladessa gostava tanto do Ale que deu uma Gibson Les Paul pra ele. Isso desde 1999. Eu entrei na Ulm em 2005 e até 2008 tinha contato com o Ladessa. Uma pena ele ter ido do jeito que foi. Mas ele discernia a Cruz e certamente estaremos juntos na eternidade ao lado do Pai.

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